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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Machado de Assis_EXERCÍCIOS


PROF. VALMIR LUIS
LITERATURA
EXERCÍCIOS MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS, Machado de Asis
1)
a. Há um caráter recorrente na obra de Machado de Assis que está implí­cito no trecho "... ele cultivou livremente o elíptico". Interprete essa informação.

b. Outra marca registrada de Machado de Assis está citada na frase "... intervindo na narrativa com bisbilhotice saborosa." Explique.

2) No trecho que segue, o narrador, ao descrever a personagem, critica sutilmente um outro es­tilo de época, o Romantismo.

Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos; era talvez a mais atrevida criatura de nossa raça, e, com cer­teza, a mais voluntariosa. Não digo que já lhe coubesse a primazia da beleza, entre as mocinhas do tempo, porque isto não é ro­mance, em que o autor sobredoura a reali­dade e fecha os olhos às sardas e espinhas; mas também não digo que lhe maculasse o rosto nenhuma sarda ou espinha, não. Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, que o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação.
ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Jackson, 1957.

Identifique o trecho em que essa crítica é mais aparente.

3) Assinale a opção que contenha trecho com a conhecida digressão metalinguística presente na obra de Machado de Assis.
a. Ora bem, faz hoje um ano que voltei definitivamente da Europa. O que me lembrou esta data foi, estando a beber café, o pregão de um vendedor de vas­souras e espanadores: “Vai vassouras! vai espanadores!”.
b. Cuido haver dito, no capítulo XIV, que Marcela morria de amores pelo Xavier. Não morria, vivia.
Viver não é a mesma cousa que morrer [...].
c. Rubião não sabia que dissesse: Sofia, passados os primeiros instantes, read­quiriu a posse de si mesma: respondeu que, em verdade, a noite era linda [...].
d. Assim chorem por mim todos os olhos de amigos e amigas que deixo neste mundo, mas não é provável. Tenho-me feito esquecer.
e. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros [...].

4) UFPE – Não tive filhos, não transmiti a ne­nhuma criatura o legado da nossa miséria.
Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas.

Machado de Assis escreveu uma vasta e variada obra, sobre a qual podemos afirmar (V ou F):
( ) É permeada pelo pessimismo do au­tor – evidente na declaração que abre a questão – aliado a uma fina ironia e a um aguçado senso crítico.
( ) Inclui contos, poemas e romances e supera estilos e modas, sendo uma li­teratura com características próprias e únicas.
( ) Como ficcionista, inicia-se no Roman­tismo e evolui para o Realismo, porém ultrapassa as limitações de escolas lite­rárias
( ) Tem em Memórias póstumas de Brás Cubas seu livro-marco, a partir do qual se inicia a fase mais profunda e madura do autor.
( ) Seus personagens não são seres ex­traordinários, nem procedem de ma­neira heroica. O autor não se interessa pela descrição do exterior, mas penetra nas consciências dos personagens, re­velando a verdade de cada um deles.

5) PUC-SP
Este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gar­galham, ameaçam o céu, escorregam e caem...
Este trecho integra o capítulo “O senão do li­vro”, do romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Dele e do livro como um todo, é possível depreender que:

a. se marca pela função metalinguística, já que o narrador autor reflete sobre o pró­prio ato de escrever e analisa criticamen­te seu estilo irregular e vagaroso.
b. afirma que o livro “cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica”, por­que foi escrito do além, é uma obra de finado e trata apenas de fatos da eter­nidade.
c. é um capítulo desnecessário e o pró­prio narrador pensa em suprimi-lo por causa do despropósito que contém em suas últimas linhas e porque viola a es­trutura linear dessa narrativa.
d. foge do estilo geral do autor, uma vez que interrompe o fio da narrativa com inserções reflexivas.
e. julga o leitor, com quem excepcional­mente dialoga, o grande defeito do li­vro, já que o desconsidera ao longo do romance.

Leia o texto que segue para responder às questões de 6 e 7.

Um poeta dizia que o menino é o pai do homem. Se isto é verdade, vejamos al­guns lineamentos do menino.
Desde os cinco anos merecera eu a alcunha de “menino diabo”; e verdadei­ramente não era outra coisa; fui dos mais malignos do meu tempo, arguto, indiscre­to, traquinas e voluntarioso. Por exemplo, um dia quebrei a cabeça de uma escrava, porque me negara uma colher de doce de coco que estava fazendo, e, não conten­te com o malefício deitei um punhado de cinza no tacho, e, não satisfeito da traves­sura, fui dizer à minha mãe que a escra­va é que estragara o doce “por pirraça”; e eu tinha apenas seis anos. Prudêncio, um moleque de casa, era o meu cavalo todos os dias; punha as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o, dava mil voltas a um e outro lado, e ele obedecia, – algumas vezes gemendo – mas obedecia sem dizer palavra, ou, quando muito, “ai nhonhô!” ao que eu retorquia: “Cala a boca, besta!” – Esconder os chapéus das visitas, deitar rabos de papel a pessoas graves, puxar pelo rabicho das cabeleiras, dar beliscões nos braços das matronas, e outras muitas façanhas deste jaez, eram mostras de um gênio indócil, mas devo crer que eram também expressões de um espírito robus­to, porque meu pai tinha-me em grande admiração; e se às vezes me repreendia, à vista de gente, fazia-o por simples forma­lidade: em particular dava-me beijos.
Não se conclua daqui que eu levasse o resto da minha vida a quebrar a cabeça dos outros nem a esconder-lhes os cha­péus; mas opiniático, egoísta e algo con­temptor dos homens, isso fui; se não pas­sei o tempo a esconder-lhes os chapéus, alguma vez lhes puxei pelo rabicho das cabeleiras.
Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.

6. Unifesp
Indique a frase que, no contexto do fragmen­to, ratifica o sentido de "o menino é o pai do homem", citação inicial do narrador.
a. "... fui dos mais malignos do meu tempo..."
b. "... um dia quebrei a cabeça de uma escrava..."
c. "... deitei um punhado de cinza no tacho..."
d. "... fustigava-o, dava mil voltas a um e outro lado..."
e. "... alguma vez lhes puxei pelo rabicho das cabeleiras..."

7. Unifesp
É correto afirmar que:
a. se trata basicamente de um texto natu­ralista, fundado no determinismo.
b. o texto revela um juízo crítico do con­texto escravista da época.
c. o narrador se apresenta bastante sisudo e amargo, bem ao gosto machadiano.
d. o texto apresenta papéis sociais ambí­guos das personagens em foco.
e. os comportamentos desumanos do narrador são sutilmente desnudados.

Leia o texto que segue para responder às questões de 8 e 9.

Óbito do autor
Algum tempo hesitei se devia abrir es­tas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar di­ferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor-defunto, mas um defunto-autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e novo.
Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.

8.
Considerando o contexto da obra a que per­tence o fragmento lido, marque o único enten­dimento correto.
a. A expressão "autor-defunto", usada pelo narrador, transparece seu estado de saúde terminal.
b. Quando emprega o termo "vulgar", o autor revela preocupação em não ser banal, em não apresentar vulgaridades apelativas em seu texto.
c. Quando pensa em “memorizar sua mor­te”, o narrador alude a um exercício futu­rista, ou seja, descrever o futuro, afinal, se está escrevendo, ele ainda está vivo.
d. O "diferente método" a que se refere o narrador é a ideia de contar sua his­tória como aconteceu, sem recursos de rebuscamentos literários.
e. No último período, o narrador revela a intenção de fazer com que seu relato seja, além de original, charmoso.

9.
A metáfora presente em “a campa foi outro berço” baseia-se:
a. na relação abstrato/concreto que há em campa/berço.
b. no sentido conotativo que assume a palavra campa.
c. na relação de similaridade estabelecida entre campa e berço.
d. no sentido denotativo que tem a palavra berço.
e. na relação todo/parte que existe em campa/berço.

10. ITA-SP
Alguns estudiosos consideram que a publicação, em 1881, do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, marca o iní­cio do Realismo na literatura brasileira. Contudo, não é difícil perceber que esse livro já apresenta algumas características que serão desenvolvidas pela ficção moderna do século XX, principalmente:

a. a ironia com que o narrador persona­gem descreve a hipocrisia dos costu­mes da burguesia brasileira, que cons­titui aquilo que se pode chamar de “moral de fachada”.
b. o caráter reflexivo da narrativa, que sempre procura entender o compor­tamento humano, mesmo naquilo que aparentemente ele tem de mais banal.
c. o recurso a um tipo de ficção que ques­tiona os limites entre o real e o irreal, já que o narrador do livro de Machado é um homem morto.
d. o humor, que pode ser tanto mais ex­plícito, gerando narrativas próximas da comédia, quanto mais sutil, marcando um distanciamento crítico do autor diante das personagens.
e. o uso da metalinguagem, ou seja, o fato de o texto chamar a atenção para a sua própria construção, fazendo comentá­rios acerca de si mesmo.

11. Fuvest-SP
Filosofia dos epitáfios
E, aliás, gosto dos epitáfios; eles são, en­tre a gente civilizada, uma expressão daquele pio e secreto egoísmo que induz o homem a arrancar à morte um farrapo ao menos da sombra que passou. Daí vem, talvez, a tristeza inconsolável dos que sabem os seus mortos na vala comum; parece-lhes que a podridão anônima os alcança a eles mesmos.

O fragmento de Memórias póstumas de Brás Cubas exemplifica a seguinte característica de seu autor:

a. O pessimismo com que trata as per­sonagens que ocupam postos privile­giados na sociedade burguesa, dife­rentemente do modo como lida com indivíduos socialmente carentes.
b. O uso da ironia como arma de combate às tendências estéticas do Romantis­mo, de qual nunca sofreu influência.
c. A fixação nos problemas sentimentais, entendidos como única causa da con­duta humana.
d. A tendência à idealização das persona­gens, herança do Romantismo.
e. A tentativa de compreender a natureza humana naquilo que tem de universal.

Tais exercícios deverão ser entregues pelos alunos do 2º ANO_COC ARARAQUARA, dia 14/05 e poderão ser feitos em DUPLAS ou TRIOS.

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