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domingo, 9 de janeiro de 2011

Classificação das rimas

Olá, hoje nós vamos abordar a técnica de construção e classificação de rimas em um poema, isto é, nossa análise será sobre a forma do poema, não sobre o tema.

Rima é a concordância sonora que ocorre entre palavras e expressões, verificada nas últimas vogais tônicas de cada uma delas. As rimas podem ser classificadas:

a) de acordo com a acentuação: quando a aproximação sonora se dá entre palavras proparoxítonas, como amoníaco / zodíaco, a rima é chamada esdrúxula; quando entre palavras paroxítonas, como agreste / veste, é chamada rima grave; entre oxítonas, como fez / inglês, chama-se rima aguda;

b) de acordo com a extensão: quando a similaridade sonora é total a partir das última vogais tônicas, como nos três exemplos acima, a rima chama-se consoante; caso a semelhança seja parcial, como em bela / fera ou luta / dura, a rima chama-se toante;

c) de acordo com o vocabulário: quando a rima se dá entre palavras de mesma classe gramatical, como amoníaco / zodíaco (substantivos), ela é denominada rima pobre; chama-se rima rica quando as palavras são de classes gramaticais diferentes, como em agreste / veste (substantivo e verbo); ainda há a rima rara, feita com palavras de difícil combinação sonora, como orifício e cisne, e a rima preciosa, em que as palavras rimadas são forçadas, como se vê na rima apodrece / s:

Toma conta do corpo que apodrece...
E até os membros da família engulham,
Vendo as larvas malignas que se embrulham
No cadáver malsão, fazendo um s.
                             Augusto dos Anjos

d) de acordo com a disposição:
1- rima interna (ou interior): quando a paridade sonora está contida em palavras que se encontram no mesmo verso, ou quando a palavra final de um verso rima com a expressão inicial do verso seguinte, ou, ainda, entre palavras dispostas no meio de versos diferentes. Vejamos os exemplos do primeiro e do segundo caso:

        Braços nervosos, brancas opulências,
        Brumais brancuras, fúlgidas brancuras,
        Alvuras castas, virginais alvuras,
        Lactescências das raras lactescências.
                                                  "Braços." Cruz e Sousa

O poeta Jorge de Lima nos dá um exemplo do terceiro caso:

        Olhos, olhos de boi pendidos vertem
        prantos por quem se foi. Ouvidos ouvem,
        calam. Crepes enlutam as janelas.
        Fundas ouças escutam seus gemidos.

2- rimas emparelhadas ou paralelas (aabb)

        Vagueio campos noturnos            a
        Muros soturnos                           a
        Paredes de solidão                      b
        Sufocam minha canção.               b
                          Ferreira Gullar

3- rimas cruzadas ou alternadas (abab)

        Se o casamento durasse                a 
        Semanas, meses fatais                  b
        Talvez eu me balançasse               a
        Mas toda a vida... é demais!         b
                                Afonso Celso

4- rimas enlaçadas ou opostas ou interpoladas (abba)

        Não sei quem seja o autor             a
        Desta sentença de peso                 b
        O beijo é um fósforo aceso            b
        Na palha seca do amor!                 a
                                    B. Tigre

e) versos que não apresentam rima: versos brancos ou soltos são os que não apresentam rima final.

       Fabrico um elefante branco
       de meus poucos recursos.
       Um tanto de madeira podre
       tirado a velhos móveis
       talvez lhe dê apoio.
       E o encho de algodão,
       de paina, de doçura. (...)
                      Carlos Drummond de Andrade

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